Ser e não precisar se encaixar, se enquadrar…

Ser quem se é sem padrões, predeterminações…

Caber com tudo o que se é.

Manifestar, existir… em toda a potencialidade e vulnerabilidade. Estar com todas as particularidades e especificidades dialogando com todas as outras particularidades e especificidades, presente, construindo um espaço e um tempo amoroso em que todas as pessoas tenham a liberdade de ser e de se expressar, estabelecendo relações justas, que beneficiam a todos e a todas.

Insegurança… receio… medo.

Deveria ter estudado mais, pesquisado mais, organizado melhor… e mais um sem fim de justificativas para a possibilidade de dar tudo errado. Eu era o responsável pela orientação deste encontro em que daríamos continuidade ao diálogo a respeito das violências estruturais e dentre elas, especificamente, o racismo, para lidar e buscar ações efetivas de transformação.

Minha garganta reclama, se fecha… respiro, bebo um pouco d’água. Minha voz titubeia e por um instante, se cala.

Quem quer calar minha voz? Quem quer calar as vozes que neste momento falam em mim?

O que fora oprime? O que dentro reprime?

Um instante que dura uma eternidade.

Respiro…

Falo… faço o que vim fazer. Abro o diálogo e compartilho reflexões e inquietações para compor com a demais pessoas, de igual para igual, com todas as nossas diferenças, com toda a nossa diversidade.

Essa voz, minha voz, singular e plural… não será calada, o que ela tem a dizer, tem cabimento. Ela terá espaço e tempo, aqui e agora, para se manifestar, para intervir, para integrar e estabelecer de fato um diálogo verdadeiro em que as múltiplas vozes são consideradas e reconhecidas.

Independentemente da origem, se uma força externa que oprime, que se impõe para manter a ordem estabelecida, sistemas, privilégios, tudo como está… se interna, que de tanto ser oprimida, maltratada, calada… se recolhe, se retrai…

Temos ainda muito trabalho para construir o que é necessário para que, haja transformações efetivas e mudanças significativas que alicercem outras formas de ser e estar no mundo.

Sem julgamentos, sem comparações, sem qualificações…

Essa voz tem vez.

Leonardo Rogerio
Artista e educador.
No Laboratório de Convivência atua em ações e projetos relacionados à construção de diálogo e ao desenvolvimento de relações e convivências mais justas, saudáveis e verdadeiras.

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